Em nosso crescimento como indivíduo, começamos um processo de separação já no nascimento, a partir do qual continuamos a ter uma independência crescente até a idade adulta. Sendo assim, passar por momentos solitários pode ser uma emoção saudável e, de fato, a escolha de ficar sozinho durante um período de solitude pode ser enriquecedora, pois traz conhecimento e amadurecimento. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo.
Mas como para tudo há um limite... existe um momento em que a solidão se torna uma tortura...
Não digo aqui de solidão só quando estou em casa nos fins de semana sem ninguém pra conversar, mas também, pelos momentos em que estou rodeada de pessoas (muitas das quais eu adoro) e mesmo assim sinto um vazio no peito... Algo que não preenche, parece "oco"... Isto me faz pensar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. Quando esses sentimentos são prolongados eles me tornam debilitada e me bloqueiam a capacidade de ter um estilo de vida e relacionamento saudáveis, eu me entrego à tristeza e sinto como se nunca fosse conseguir sair dela.
Hoje estou convencida de que não posso ser amada e isto só aumenta a minha experiência de sofrimento, o consequente distanciamento do contato social e essa baixa auto-estima, que pode dar início à desconexão social que pode me levar à solidão consciente (e talvez à loucura!).
TENHO MEDO DE TUDO ISSO!
Para Nietzsche a solidão é o caminho que nos conduz para nós mesmos.
O sentido da solidão que Nietzsche nos fala deve ser compreendido dentro de uma perspectiva existencialista, em que uma situação que permite ao homem um (re)inventar-se, superando obstáculos e condições difíceis (que se dá na solidão), evidentemente faz parte do dever, em contraposição tem a ingênua idéia de que a vida pode ser isenta de sofrimento.
Nietzsche muda de órbita todo aquele sentido de “mal” que o homem moderno dá ao sofrimento e à dor. Segundo ele, é reconhecendo nossa própria condição de horror que podemos contemplar o gozo e a alegria. Não se trata de aceitação nem conformismo, mas é por essa condição de relação “para além do Bem e do Mal” para com o sofrimento e a dor, que podemos nos empenhar em ações criativas do viver, dando sentido e significados à tragédia da vida.
Em outras palavras, sem a dor e o sofrimento, onde haveria material em potencial para o homem fazer música alegre para o seu viver?
Será que Nietzsche estava certo? Será que devo me "acostumar"?
De onde pode vir a resposta?
Eis meu lado EMOÇÃO! Sempre acima da razão... só não sei, realmente, até quando vou aguentar!
