domingo, 19 de setembro de 2010

SOLIDÃO


   Em nosso crescimento como indivíduo, começamos um processo de separação já no nascimento, a partir do qual continuamos a ter uma independência crescente até a idade adulta. Sendo assim, passar por momentos solitários pode ser uma emoção saudável e, de fato, a escolha de ficar sozinho durante um período de solitude pode ser enriquecedora, pois traz conhecimento e amadurecimento. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo.


Mas como para tudo há um limite... existe um momento em que a solidão se torna uma tortura...

   Não digo aqui de solidão só quando estou em casa nos fins de semana sem ninguém pra conversar, mas também, pelos momentos em que estou rodeada de pessoas (muitas das quais eu adoro) e mesmo assim sinto um vazio no peito... Algo que não preenche, parece "oco"... Isto me faz pensar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. Quando esses sentimentos são prolongados eles me tornam debilitada e me bloqueiam a capacidade de ter um estilo de vida e relacionamento saudáveis, eu me entrego à tristeza e sinto como se nunca fosse conseguir sair dela. 

   Hoje estou convencida de que não posso ser amada e isto só aumenta a minha experiência de sofrimento, o consequente distanciamento do contato social e essa baixa auto-estima, que pode dar início à desconexão social que pode me levar à solidão consciente (e talvez à loucura!).

TENHO MEDO DE TUDO ISSO!


   Para Nietzsche a solidão é o caminho que nos conduz para nós mesmos. 
O sentido da solidão que Nietzsche nos fala deve ser compreendido dentro de uma perspectiva existencialista, em que uma situação que permite ao homem um (re)inventar-se, superando obstáculos e condições difíceis (que se dá na solidão), evidentemente faz parte do dever, em contraposição tem a ingênua idéia de que a vida pode ser isenta de sofrimento.

   Nietzsche muda de órbita todo aquele sentido de “mal” que o homem moderno dá ao sofrimento e à dor. Segundo ele,  é reconhecendo nossa própria condição de horror que podemos contemplar o gozo e a alegria. Não se trata de aceitação nem conformismo, mas é por essa condição de relação “para além do Bem e do Mal” para com o sofrimento e a dor, que podemos nos empenhar em ações criativas do viver, dando sentido e significados à tragédia da vida. 

   Em outras palavras, sem a dor e o sofrimento, onde haveria material em potencial para o homem fazer música alegre para o seu viver?



Será que Nietzsche estava certo? Será que devo me "acostumar"?

De onde pode vir a resposta?

Eis meu lado EMOÇÃO! Sempre acima da razão... só não sei, realmente, até quando vou aguentar!



sábado, 11 de setembro de 2010

O TREM DA VIDA...

     Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura muito interessante, quando bem interpretada. 
   Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros... Mas o que realmente importa é fazer a viagem... mesmo sabendo que nessa viagem não há caminho de volta e, que por isso, temos que tentar fazer da melhor forma possível, pois os rastros que deixamos para que outras pessoas nos encontrem é o que vai nos trazer conforto, amizade, carinho e amor.


   Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos que estarão sempre conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos no cominho, amizade e companhia insubstituível... Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser mais que especiais para nós embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

   Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristeza. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por este trem de forma que, quando desocupam seu acento, ninguém sequer percebe. Curioso é perceber que alguns passageiros que nos são tão queridos, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o percurso, atravessemos, mesmo que com dificuldades, o nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado para sempre.

   Não importa!!! A viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperanças, despedidas... porém, jamais retornos. Façamos essa viagem, então da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e provavelmente precisaremos entender, pois nós também fraquejamos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá. Eu me pergunto se quando eu descer desse trem sentirei saudades... acredito que sim. Separar-me de algumas amizades que fiz será, no mínimo, dolorido.

   Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste, mas me agarro à esperança de que em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar mais feliz será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa. O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, ou até aquele que está sentado ao nosso lado. Façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem...
a viagem da vida.

(Texto de Silvana Duboc)