"Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio, porque sou um animal sentimental, que me apego facilmente ao que desperta o meu desejo e, penso que por tanto amor, por tanta emoção, a vida me fez assim...
Que a música que ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza, pois estou presa a canções que parecem nunca ter fim...
Mas não estou interessada no que sinto, eu não acredito em ninguém e em nada além do que meus olhos podem ver. As pessoas esperam respostas, mas eu não as tenho... Mas me cansei de brigar comigo mesma por causa disso... Agora, penso um milhão de vezes antes de qualquer coisa a dizer... E, eu entendo o que tentaram me dizer, mas existem muitas coisas. Coisas que me faziam sonhar, mas que agora não me permitem dormir. Preciso de remédios! Ainda bem que existem os remédios! Esses são os meus únicos e verdadeiros companheiros.
Os sonhos? Ah, os sonhos... Longe se vai quando se sonha, mas onde se chega enfim? Será que um dia vou descobrir o que é isso que existe dentro de mim? Eu pensei que soubesse... mas me enganei!
É algo muito forte, incontrolável, indescritível, por isso vivo nessa caça de quem sou eu.
Não tenho medo do que posso descobrir de mim mesma, só temos que ter medo da intensidade da luta, do quanto estamos (ou não) preparados para ela. Não há nada a fazer, senão esquecer o medo, o medo do escuro talvez... e tentar fugir às armadilhas da mata escura. Afinal, o escuro só existe para a natureza mostrar a nós, que existe um momento em que precisamos descansar... não ver nada... nada além dos pensamentos e sonhos! E nessa hora, na hora da escuridão, só consigo pensar na minha vontade de ir embora, porque é tão gostoso ficar ali, os sonhos me dão a calma e a paz que eu (penso) mereço... e eu sinto que a tensão que me corrói por dentro dá uma trégua, pois estou cansada, muito cansada... física e mentalmente... Mas quando o dia acordar e, se por acaso o sol falhar ao enviar sua luz, vou acender mil velas para tentar fazer tudo clarear!
Eu não tenho mais medo da solidão, aliás, estou me apaixonando por ela... sou a única pessoa que está me suportando nesse momento. Porque vivo das lembranças do que fui alguns dias e não consigo pensar no que poderei ser no futuro.
Nem desejo mais que minha loucura seja perdoada, mas ao menos entendida...
Por que hoje, metade de mim é vazio... e a outra metade... eu não sei!"
PS.: Fiz uma adaptação das músicas que estão me acompanhando todos os dias dessa minha tristeza:
Metade (Oswaldo Montenegro)
Sereníssima (Renato Russo)
Eu, caçador de mim (Milton Nascimento)

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